A competitividade internacional é elemento central para o desenvolvimento econômico de países que buscam aumentar produtividade, diversificação industrial e capacidade estratégica no comércio exterior. No caso brasileiro, a pauta exportadora historicamente concentrada e pouco diversificada tem limitado a capacidade do país de agregar valor, inovar e ampliar sua presença em cadeias globais de maior complexidade.
Nesse contexto, as empresas comerciais exportadoras — tradings — surgem como instrumentos essenciais de expansão internacional, capazes de conectar pequenos e médios produtores a mercados estrangeiros, reduzir custos transacionais e acelerar o processo de internacionalização empresarial. A análise comparativa com potências exportadoras como Japão, Itália e Alemanha reforça que o crescimento sustentado das exportações depende de políticas industriais consistentes, instituições de apoio e elevada coordenação público privada.
Histórico da Evolução da Pauta Exportadora Brasileira
A trajetória das exportações brasileiras demonstra movimento pendular entre surtos de modernização e longos períodos de dependência de commodities. Embora o país tenha desenvolvido setores industriais complexos ao longo do século XX, diversas reformas econômicas, além de mudanças na política cambial e comercial, contribuíram para a perda de densidade industrial e regressão tecnológica, notadamente se se considera o pós Plano Real, que embora em termos macro econômicos tenha superado a mega inflação, levando-a aos níveis dos países desenvolvidos, o binômio juros elevados e abertura comercial abrupta comprometeram parte do nosso parque produtivo.
A pauta exportadora atual revela forte concentração em produtos primários — como soja, minério de ferro e petróleo — que, apesar de relevantes, apresentam menor valor agregado e baixa resiliência a ciclos globais de preços. Além disso, a dependência de poucos mercados, especialmente China e Estados Unidos, reduz o poder estratégico do Brasil e limita oportunidades de inserção em cadeias globais de maior sofisticação tecnológica.
O Papel Estratégico das Tradings no Comércio Exterior
As tradings desempenham funções fundamentais para superar barreiras de entrada nos mercados internacionais. Elas atuam na prospecção de clientes, consolidação de cargas, gestão logística, financiamento, mitigação de riscos e conformidade regulatória, reduzindo significativamente os custos e complexidades para empresas que desejam exportar.
No Brasil, sua atuação tornou-se particularmente relevante para pequenas e médias empresas que não dispõem de estrutura operacional ou conhecimento especializado para conduzir operações internacionais de maneira
autônoma. Em ecossistemas exportadores avançados, as tradings são parte estruturante das políticas públicas de internacionalização.
Benchmark Internacional: Japão, Itália e Alemanha
A análise de países altamente competitivos demonstra que as tradings e agentes comerciais especializados são pilares estratégicos. – No Japão, as sogo shosha operam como centros integrados de informação, financiamento e gestão logística. – Na Itália, consórcios de exportação e redes de pequenas empresas recebem forte apoio institucional. – Na Alemanha, estruturas como câmaras de comércio exterior conectam certificação, tecnologia e acesso a mercados.
Esses modelos reforçam que a especialização comercial, associada ao suporte contínuo, amplia competitividade e capacidade de penetração em mercados exigentes.
Propostas de Modernização
Entre as propostas para fortalecer a competitividade brasileira, destacam-se: ampliação de instrumentos de apoio à internacionalização; fortalecimento das tradings como plataformas estruturantes; diversificação da pauta exportadora; revisão das políticas cambial, tributária e regulatória; e, destacamos, criação de mecanismos de coordenação público privada inspirados em modelos internacionais de sucesso.
Tais medidas são essenciais para reverter o processo de reprimarização (pós Plano Real) e recolocar o Brasil em trajetória sustentável de crescimento exportador.
Há de se incentivar um papel empresarial mais arrojado, cabendo ao estado a coordenação de políticas industriais, desburocratização, mais fácil acesso ao crédito a projetos, políticas macro econômicas de combate à inflação que não tenha como único fator a elevada taxa de juros (política monetária restricionista), ou seja, a exemplo das potências tecnológicas, tornar mais atraentes os investimentos produtivos de longo prazo e, finalmente, modernizar minimamente nossa matriz logística, à mercê dos lobbies da indústria do frete rodoviário, demasiadamente oneroso no transporte a longas distâncias.
Conclusão
O debate sobre a necessidade de o Brasil exportar para crescer evidencia que países altamente competitivos estruturaram seus modelos de comércio exterior com políticas industriais consistentes, coordenação institucional e participação intensa de agentes especializados como as tradings.
As propostas apresentadas reforçam que o fortalecimento das tradings, o aprendizado internacional e a modernização das políticas de fomento exportador são caminhos fundamentais para ampliar a presença do Brasil no comércio global de forma resiliente e sofisticada.
Referências
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